Carta aberta de uma mãe

Olá, escrevo essa carta em forma de indignação e esperando que chegue de fato as
devidas pessoas.
Me chamo Carolina sou moradora de Santos e tenho um filho de 12 anos, que tem
paralisia cerebral (cadeirante).
Há anos utilizo o transporte público da Baixada Santista e praticamente todos os
dias, por conta das terapias e consultas médicas do meu filho.
Há anos que sofro com PRECONCEITO, DESRESPEITO, FALTA DE EMPATIA,
DESCASO, ENTRE OUTROS CONSTRANGIMENTOS, por conta dos motoristas que
me embarcam com meu filho.
Sempre que possível faço reclamações a empresa Piracicabana que sempre me
responde com: “Com relação a sua reclamação, informamos que o motorista
escalado nesse atendimento foi encaminhado ao setor de
Desenvolvimento Operacional, responsável por apurar os fatos e adotar as
medidas cabíveis, se necessário.
Esclarecemos que a empresa realiza incessantes investimentos em
treinamentos e o principal assunto abordado esta relacionado a postura de
atendimento que orienta os operadores a tratar os passageiros com cordialidade
e respeito.
De fato podem até chamar o motorista, mas nada é feito, pois os mesmos
sempre continuam em trabalho e fazendo e tendo as mesmas atitudes para
comigo e outras pessoas também, sim outras pessoas!
Outras mães atípicas passam por isso, pessoas idosas passam por isso,
DESRESPEITO, PRECONCEITO.
PORQUÊ PRECONCEITO?
Porque esses motoristas tem mães, tem filhos, gente de idade na família, e será
que eles fazem isso com os deles? Claro que não!!!
Faço sempre reclamações, com prefixo, nome, horário tudo certinho, e mesmo
assim há 12 anos passo por essas HUMILHAÇÕES.
Já levei o caso para Justiça!
Mas meu intuito não é ganhar dinheiro em cima dessas situações, mas sim ser
ouvida, ser tratada bem, que meu filho seja respeitado, que ele possa ir e vir,
sem ter que ouvir graça de motorista “ nossa hoje já é o 4 cadeirante que pego,
parece que só gostam do meu ônibus”.
É isso que ouvimos, é motorista virando a cara, batendo o braço no volante com
sentindo de achar ruim porque vai embarcar um cadeirante, acelerando o ônibus
e virando a cara para fingir que não me viu dando sinal para embarcar. Isso é só
a ponta o iceberg, nem vamos falar da falta de manutenção nos elevadores.
Mais enfim, meu filho não pediu para vir ao mundo com limitações (deficiência).
Na verdade quem tem a DEFICIÊNCIA, é os motoristas, pois um ser humano
tratar uma mãe com uma criança cadeirante com essa desumanidade é
humilhante.



