Um trambolho no Gonzaga
Em 10 de janeiro de 1945, o jornal santista A Tribuna publicava esta reclamação:

mas se confundindo com um kiosque comercial”
Reprodução do jornal santista A Tribuna de 10 de janeiro de 1945
O abrigo do Gonzaga está precisando da picareta do progresso!
É um mostrengo que deforma o conjunto urbanístico do Gonzaga
A Prefeitura deve proceder à desapropriação daquele trambolho
O Gonzaga, por justos títulos, é o bairro “chic” da cidade. Cada vez mais ganha esplêndidos atributos de urbanismo, tornando-se centro de natural atração pública, pelo apuro e imponência das construções que o volteiam e tanto mais pela beleza impressionante da sua praia. Aquele trecho que vai da Praça da Independência até a orla marítima, então, constitui o pedaço magnífico do aristocrático bairro, cheio de luz, de espaço e de beleza arquitetônica.
É uma parte praiana que sempre se renova. Ali está o Parque Balneário, considerado um dos melhores hotéis da América do Sul. E também o Atlântico Hotel. Os dois cassinos. A Fonte “9 de Julho”. Os modernos estabelecimentos comerciais. O monumento dos Andradas. E futuramente, o alargamento da Rua Fernão Dias, o surgimento de um grande cinema e de outros arranha-céus
Pois bem. Em meio a esse conjunto de beleza natural e arquitetônica, como que desafiando a imponência do ambiente, aparece um mostrengo…
Trata-se do abrigo cravado em plena via pública, faz tempo.
Aquilo deforma a urbanização do local, contrasta, enfeia, cortando a perspectiva da praia e do seu horizonte.
Não se pode admitir tamanho aleijão, entre tantas manifestações de progresso.
O abrigo do Gonzaga está precisando de picareta. Deve ser demolido, a bem da beleza urbanística, e que em seu lugar se propicie a instalação de modernos combustores, não apenas ali, mas em toda extensão do trecho entre a praça da Independência e a praia.
Abrigos?
Sim, a praia do Gonzaga precisa de abrigo, de um ou dois, nunca porém no sítio onde abusivamente se encontra o atual, mas em plena praia, em ponto preciso, como, por exemplo, no local de parada dos bondes, ao lado do relógio da City.
Ali, sim. Mas que surja puramente um abrigo, apenas abrigo e não botequim e charutaria.
Ademais, o abrigo do Gonzaga, tal como se apresenta, constitui iminente perigo para o público e já registramos mais de um acidente devido à sua esquisita localização.
É o apelo que fazemos ao prefeito municipal, embora saibamos da existência de um contrato de concessão cujo prazo ainda demanda alguns anos.
Tratando-se, porém, de assunto de imediato interesse púbico, seria o caso do chefe do executivo santista proceder à desapropriação do abrigo para pronta demolição, indenizados os concessionários.
Estamos perfeitamente informados de que os dois grandes hotéis, prejudicados em sua estrutura arquitetônica pela “sombra” do trambolho do Gonzaga, se dispõem a concorrer com grande parte da soma exigível pela medida de desapropriação.
Estaria, pois, facilitado, e consideravelmente o aspecto financeiro da execução legal.
Aquele mostrengo precisa de vir abaixo.
Antes, o abrigo dispunha de dois andares. Um foi cortado. E o outro que também o seja…
Não se compreende a beleza do meio-ambiente gonzaguino com aquele quasímodo!
O Quiosque do Gonzaga, no canteiro central da Avenida Ana Costa, em cartão postal de 1948, tendo ao fundo o Hotel Atlântico e à direita o cine-teatro transformado em Cassino Atlântico (e já fechado então, devido à proibição dos jogos de azar no Brasil em 1946):

O “trambolho do Gonzaga”, destacado nesta ampliação da imagem:




